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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Os monjolos


                               
         Carpinteiros, ferreiros  e pedreiros, Dito Mineiro e o compadre João Oliveira eram sempre requisitados pelo povo das redondezas ali no Sul de Minas  para montar monjolos, construir casas e pontes e realizar consertos em geral. Também eram especialistas em construir as chamadas “tiradas de água”, valas  para que a água de algum córrego chegasse até determinado local. Muitas vezes eram desafiados a fazer a água chegar a algum  local que parecia mais alto que o nível do córrego, mas com paciência e obstinação, conseguiam a proeza: a água chegava e passava a servir,  fosse para movimentar um monjolo, um moinho  ou para  uso doméstico.

          Essas habilidades as aprenderam com Giacomo de Lucca, mais conhecido como Jaco Lateiro,  um italiano que era mestre em trabalhar com folhas de lata e madeira e que também tinha  conhecimentos de mecânica  rudimentar e marcenaria.

              Inicialmente os dois compadres aprenderam a colocar cabos em canecas feitas de latas de azeite , depois a fabricar cartolas e tonéis  para vinho. 

           Antes de começarem a trabalhar sozinhos só levavam à frente os trabalhos depois da aprovação do velho mestre italiano. Com o tempo foram se especializando, aprendendo novas técnicas e aos poucos dispensaram as avaliações do velho, que enciumado, sempre punha defeitos nos trabalhos dos dois.

         – Seu Candido, este monjolo não está bom. A madeira é “molto” pesada e a “acqua” cai “presto súbito”.

         – Olhe, seu Jaco, pode ser, mas ele funciona bem. Já bateu quase dois jacás de milho semana passada.

 –  .........

           Os dois compadres haviam nascido em Andradas e anos mais tarde as famílias se mudaram para Campo Místico, mais ao sul de Minas, onde foram morar  na roça com os pais que trabalhavam no sistema de-a-meia para João Frutuoso, uma espécie de coronel local e que também era fazendeiro.

               Os dois, com quinze anos se apaixonaram pelas irmãs Antônia e Jesuina  ambas com quatorze anos e moradoras ali do bairro. Daí a um ano estavam casados com as duas irmãs e morando parede-e-meia numa casa de barro  no bairro dos Machados.   
  
               Com o passar dos anos cada um dos dois se especializou em alguma atividade embora trabalhassem juntos. Dito era melhor como ferreiro e carapina  e João como pedreiro e construtor de monjolos.  Os dois dispunham de instrumentos rudimentares: um prumo já desgastado pelo tempo, duas colheres enferrujadas,  martelos já meio disformes, talhadeiras, formões  e cepilhos meio sem corte.  Essas falhas nos seus instrumentos eram supridas com suas habilidades e conhecimentos.
  
 Para esquadrinhar os alicerces de uma casa utilizavam o método dos antigos egípicios: uma corda com alguns nós em posições exatas esticada a partir de um mourão determinava os cantos da casa e após isso definiam as linhas de contorno.

Quando eram requisitados para construir alguma ponte, inicialmente examinavam o local e definiam os tipos e tamanho da madeira que empregariam. Depois adentravam o mato e procuravam a madeira ideal quanto ao diâmetro e comprimento das toras que poderiam aparar.

Para os monjolos havia necessidade de usar a madeira correta: a peroba ou a caneleira preta. O cocho era aparelhado com machado e depois acertado com formão. 

Para os monjoleiros em geral, a suprema vergonha era fazer um monjolo que não funcionasse. Seriam alvo de chacota por todo o bairro.

Com Dito e João  isso nunca acontecia, pois seus monjolos sempre funcionavam e inclusive eram alvo de cópias de outros monjoleiros.

Mas copiar um monjolo não era garantia de funcionamento pois havia necessidade de estudar a vazão da água, a altura da queda e outros detalhes.


Ficou célebre a polêmica que  Dito e João tiveram com o mestre Jaco Lateiro quando foram requisitados para construir um monjolo para o fazendeiro Zé Espoleta.  Este queria que construíssem em sua propriedade o maior monjolo da região, mas havia pouca água para movimentá-lo. Além disso o local onde corria a água era plano. Jaco Lateiro logo de início disse que seria impossível mas os dois compadres após estudarem o local afirmaram que seria possível sim.

A polêmica despontou. Nos botecos e vendas da região o assunto era um só: o monjolo do Zé Espoleta. Apostas eram feitas, discussões acaloradas aconteciam e Jaco Lateiro zombava dos dois antigos discípulos.

–“Ma che!!!!” Monjolo naquele lugar, nem com a mão de Deus! Impossível!

Apesar disso Zé Espoleta autorizou Dito e João  a construirem o monjolo, com algumas advertências.

– De Borda da Mata até aqui esse terá que ser o maior monjolo . E não me façam passar vergonha! – sentenciou.

– Pode deixar, seu Zé, em dois meses o senhor terá o seu monjolo funcionando. E o senhor se orgulhará de tê-lo em seu sítio – prometeram os dois compadres – E o “seu” Jaco vai ter que morder a língua!


   Os dois compadres estudaram o local, procuraram a madeira certa e posse de todas as informações iniciaram a construção do monjolo de Zé Espoleta. Com a evolução da construção a polêmica se acirrou e Jaco Lateiro já não se ocupava mais de outro assunto. Passava o tempo todo colocando defeitos na obra dos dois compadres e atazanando Zé Espoleta.

– “Signore Giuseppe”, aquele monjolo não vai funcionar. O senhor vai perder tempo e dinheiro..

– “Seu” Jaco, os dois me garantiram que funcionará. E resolvi apostar nisso – respondia Zé Espoleta, já cansado das implicações do velho italiano.

– Bem, o dinheiro é seu e o senhor é quem sabe...

Zé Espoleta dava toda força aos dois compadres monjoleiros até porque descobriu que Lazo Mendes, seu vizinho e desafeto também estava construindo um grande monjolo em sua propriedade. Zé não queria ficar para trás. O seu tinha que ser o maior monjolo da região! E tinha que terminar antes que Lazo Mendes  terminasse o seu.

Um mês depois os dois compadres já haviam providenciado a tirada de água para o funcionamento do monjolo e chamaram Zé Espoleta para observar o teste. Sem ser chamado, Jaco Lateiro também apareceu por ali dando palpites.

– A água não tem força para movimentar o monjolo. Não vai funcionar!

– Êta velho agourento! –  observou Zé Espoleta.

– Tá torcendo para não dar certo – confirmou João Oliveira.
   O teste foi feito, a água correu normalmente e sua força foi testada e aprovada. Zé Espoleta animado, adiantou aos dois compadres metade do que haviam combinado.

À noite, na venda do Julio Veiaco o assunto despontou de novo  e Jaco Lateiro, irritado com as gozações dos amigos, se enfiou numa garrafa de pinga, embebedou-se até as palavras não se articularem mais e teve que ir para casa carregado.

Alguns dias se passaram e os dois compadres já quase terminavam o monjolo quando algo inusitado aconteceu: numa sexta-feira de manhã a tora onde talhavam o monjolo amanheceu totalmente queimada.

Rebuliço no bairro! Por todo canto os comentários corriam soltos.

– Acho que foi o Jaco, aquele carcamano – sentenciava um.

– Qual o quê! Deve ter sido o Lazo Mendes que mandou queimar o monjolo. Aquele pobretão invejoso – opinava outro

–  Sei não, deve ter sido coisa do demo – pensava alguém.

Os dois compadres ao saberem da notícia ficaram inconformados. Estava já o monjolo quase totalmente talhado e acontece uma coisa dessas. Um desastre!

Zé Espoleta, então, ameaçador, sentenciou:

– Vamos descobrir quem foi e esmigalhar a cabeça dele no pilão do novo monjolo. Podem começar a construção de outro – determinou aos dois compadres.

Zé Espoleta foi ao delegado na cidade e deu parte do ocorrido. O delegado João Beiçudo prometeu investigar o caso e no dia seguinte já providenciou a ida de dois soldados ao local. Examinaram a tora queimada, indagaram os moradores das proximidades e voltaram à cidade para relatar a João Beiçudo que nada apuraram, pois não havia pistas e nenhum morador vira coisa alguma.

Enquanto isso Jaco Lateiro enfiou-se em casa e não saiu por três dias. Essa atitude reforçou as suspeitas de que fora ele que queimara a tora.

O delegado, sem saber o que fazer e pressionado por Zé Espoleta resolveu acusar o italiano mas os dois compadres saíram  em sua defesa.

– Olhe João, o Seu Jaco jamais faria uma coisa dessas. Ele anda meio estranho com a gente mas nunca.......

– Tá bom, tá bom, mas se entendam com o Zé Espoleta então.

Jaco Lateiro, magoado, mudou-se do bairro e foi trabalhar para Lazo Mendes. Foi encarregado de supervisionar a construção do monjolo deste.

Os dias se passaram e os dois compadres trabalharam com zelo e esforço. Terminar o monjolo do Zé Espoleta antes que o do Lazo Mendes ficasse pronto era questão de honra. Ainda mais sabendo que o velho mestre Jaco estava à frente da empreitada rival.

Para evitar qualquer problema Zé Espoleta destacou dois empregados para tomarem conta da tora durante a noite. Queria evitar que alguém a roubasse ou a queimasse de novo. Os dois empregados se revezavam, noite um, noite outro.

Dessa vez tudo transcorreu normalmente e depois de duas semanas finalmente o cocho do monjolo estava pronto. Faltava a haste e a montagem.

Zé Espoleta passava os dias apreensivo imaginando que Lazo Mendes  deveria estar preparando alguma coisa para atrapalhar tudo. Mandou um capanga disfarçado ao bairro vizinho espionar a construção do monjolo de Lazo Mendes. O capanga relatou tudo que viu e Zé Espoleta chamou os dois compadres que lhe garantiram terminar o monjolo no prazo.

Zé Espoleta atendeu a sugestão dos dois compadres para que a inauguração ocorresse no dia 19 de março, dia de São José, padroeiro dos carpinteiros e dia santo por ali.

Ao saber da inauguração do concorrente Lazo Mendes chamou Jaco Lateiro de lhe deu um ultimato:

– Seu Jaco, ou o senhor termina meu monjolo antes do Espoleta ou pode pegar a estrada.

– “Signore Lazaro”, fique tranquilo. O monjolo ficará pronto na data – respondeu o velho mestre.

A partir daí Jaco requisitou mais dois empregados, apressou a tirada de água, fez os testes finais e começou a dar os últimos retoques no monjolo. Enorme, comprido  e pesadíssimo, seria um grande desafio se funcionasse. Mas tinha que funcionar! Jaco precisava dar uma lição nos antigos discípulos e mostrar que era melhor que eles. Mas o prazo era reduzido e isso o incomodava.

Era dia 20 de fevereiro e Jaco precisava terminar o monjolo até dia 15 de março  que naquele ano cairia num sábado. Lazo Mendes programou também uma grande festa para o dia e continuava pressionando o velho italiano.

– Veja lá, seu Jaco, não vá me decepcionar – quero dar uma lição naquele gargantão.

– “Lascia stare...” – resmungava o velho enquanto aplicava  golpes de formão na tora de madeira.

Os dias se passavam e os dois sitiantes se vangloriavam de suas próximas realizações. Na venda do Julio Veiaco o assunto era um só: os dois monjolos.
O assunto já ultrapassava os limites dos bairros e chegava à cidade. No bar do Fredão também o assunto girava e as apostas corriam soltas.

– Dez contra um no italiano!

– Que nada! Cinco a um para os dois compadres.

–  Acho que vai dar empate, os dois lados são bons


O capanga de Zé Espoleta relatou ao patrão os preparativos de Lazo Mendes para a inauguração de seu monjolo e Zé Espoleta, decepcionado,  foi ter com os dois compadres que lhe garantiram que no dia combinado tudo estaria pronto. Mesmo perdendo o prazo para o desafeto, o monjolo de Zé Espoleta funcionaria perfeitamente e seria o maior da região. Atenderia o bairro todo.

Vencer  Lazo Mendes na disputa dos monjolos seria a glória para Zé Espoleta. Por isso mandou preparar uma grande festa para o dia. Convidou o prefeito  e alguns sitiantes vizinhos. Chamou também o Monsenhor Brito para benzer o monjolo. O religioso  porém, recusou.

No bairro dos Guatura o monjolo de Lazo Mendes ficou pronto e um dia antes do sábado da inauguração Jaco Lateiro providenciou tudo: testou a força da água; as pancadas do monjolo no pilão e os últimos detalhes.  Tudo estava correto.

Às dez horas da manhã de sábado Lazo Mendes mandou  iniciar a festa. Ao seu sinal  Jaco  Lateiro retirou a trava do monjolo e o cocho começou a se encher de água. Expectativa geral. Todos esperavam a primeira pancada do monjolo para iniciar o foguetório e a festa.

À medida em que o cocho se enchia de água Jaco Lateiro ansioso, esfregava as mãos.

Finalmente o cocho se encheu de água e.......ficou no mesmo lugar, não desceu. Lazo Mendes olhou para o italiano e fez um movimento dos lábios, como que indagasse:

– O que aconteceu?

O velho italiano, inconformado e envergonhado, tentava baixar o cocho manualmente enquanto pedia ajuda divina:

– “Dio”, me ajude! Me ajude!
Em vão! O monjolo permanecia imóvel, a água transbordando pelo cocho.

Lazo Mendes furioso, aproximou-se do monjolo e também tentou descobrir porque o cocho não baixava. Olhava para Jaco Lateiro com ares de reprovação o que deixava o velho mestre ainda mais desconcertado.

Jaco dava marretadas no corpo do monjolo com a intenção de fazer o cocho baixar. Seus auxiliares com enxadas alargavam o rego de água acima do local onde o monjolo fora instalado.  Tentavam,   com isso, aumentar o fluxo de água e fazer o cocho descer. Mas nada dava certo e as pessoas em volta já estavam ficando inquietas com a demora.

          Lazo Mendes dava socos no ar e vociferava contra o monjolo do italiano. Seria uma tremenda vergonha quando o bairro inteiro soubesse e a noticia chegasse ao bar do Fredão na cidade!

          Por fim, desistiram. Lazo Mendes inconformado montou em seu cavalo e desembestou rumo à cidade. Ele mesmo daria a noticia no bar do Fredão. Pelo caminho ia pensando numa desculpa. Talvez dizer que a madeira do monjolo estava bichada e umedeceu demais ou que alguém acima da colina desviou parte da água reduzindo a vazão.

         Jaco Lateiro sentado numa pedra olhava para o monjolo. As lágrimas escorriam pelo rosto vermelho. Segurava o chapéu com uma mão e com a outra tapava o sol acima dos olhos. Seus ajudantes tentavam minimizar a situação mas Jaco estava inconformado. Não tinha explicação para a falha.
     
         Alguns dias depois, apesar dos compadres não terem conseguido cumprir o prazo inicial prometido, o monjolo de Zé Espoleta ficou pronto e funcionou perfeitamente. Dito  e João João foram alvo de congratulações e admiração no local.

        Apesar de toda a alegria se penalizavam com a desventura do mestre Jaco Lateiro, ridicularizado por todos depois da falha  de seu monjolo.

         Após algum tempo chamaram-no para trabalhar na oficina deles lhe dizendo que havia serviços de confecção de canecas e consertos de panelas, barris e outros artefatos de madeira. O velho, até porque precisava ganhar alguma coisa para sobreviver, aceitou e passava os dias sentado num banquinho martelando as latas e a madeira. Muitas vezes os compadres lhe davam serviços fictícios para ele apenas se ocupar.
              
         Um belo dia o velho desapareceu e ninguém mais o viu por ali. Com o tempo correram noticias de que havia ficado louco e que andava pelas estradas chacoalhando a cabeça e balbuciando:

         -“ ...ma ha funzionato nella prova!” (mas funcionou no teste!)

domingo, 11 de novembro de 2012

Relembrando Machado de Assis



Aqui vão algumas passagens e/ou trechos de algumas de suas obras que me chamaram a atenção (e ainda chamam). A maneira com que Machado manejava as palavras, sua filosofia, sua psicologia, seu jeito peculiar de descrever as ações de seus personagens, tudo tem um sabor especial. É, sem dúvida alguma, o maior escritor brasileiro de todos os tempos!

Trecho de Ressurreição:

"Longa foi a gestação do amor, mas quando ele descobriu o estado de sua alma, não era centelha que se pudesse apagar, mas incêndio que lavrava e consumia tudo"

Trecho de Quincas Borba:

"....as catástrofes são úteis, e até necessárias. Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona – um triste molambo de mulher – chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela. / – É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía, neste mundo./ – Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto?"

Síntese do "humanitismo" também em "Quincas Borba":

"Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."


Última estrofe de "A mosca azul":

Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.

domingo, 7 de outubro de 2012

Cinema - Filmes diferenciados no ABC




Fiz um levantamento da programação dos cinemas do ABC neste fim de semana(5/10/12). Vejam o resultado lastimável:

Santo André/ABC Plaza Shopping
Até que a sorte nos separe
A entidade
Boca
Busca implacável 2
E a vida continua...
Hotel Transilvania
Hotel Transilvania 3D
Looper
O diário de Tati
Os mercenários 2
Residente evil 5-3D
Ted
Tinker Bell
Totalmente inocentes

Santo André/Shopping ABC
Até que a sorte nos separe
E aí...comeu?
Hotel Transilvania 3D
Na estrada
Os mercenários 2
Projeto Dinossasuro

São Bernardo/Extra Anchieta
Agamenon, o reporter
Até que a sorte nos separe
Busca implacável 2
Hotel Transilvania
Looper
O diário de Tati
Mercenários 2
Resident evli 5
Ted
Tinker Bell
Totalmente inocentes

São Caetano/Park Shopping
Até que a sorte nos separe
Boca
Hotel Transilvania 3D
Looper
Mercenários 2
Resident evil 5
Ted
  Tinker Bell

Diadema/Shopping Praça da Moça
Até que a sorte nos separe
Boca
E aí...comeu?
Hotel Transilvania
Looper
Mercenários 2
  Poder paranormal

Mauá/Shopping Mauá
Até que a sorte nos separe
Hotel Transilvania
Resident Evil
Ted

O que se observa é que os cinemas da região só exibem blockbusters  (alguns em mais de uma sala no mesmo cinema), filmecos brasileiros, comedinhas americanas e filminhos infantis ou para debilóides. Nenhum filme francês, que atualmente é o melhor cinema do mundo, nenhum filme de diretores árabes, asiáticos, etc.. Enfim, nenhum filme diferenciado.

Enquando isso em São Paulo estão em cartaz excelentes filmes franceses como  "Intocáveis"(excelente), "Polissia" , "O monge", "De volta para casa"   e "Tudo que desejamos" (também ótimo); o uruguaio "Vida útil" e o británico "360" dirigido pelo nosso Fernando Meirelles.

O que acontece com os exibidores do ABC? Acham que aqui não há público para filmes diferenciados? Então porque os cinemas de São Paulo que exibem esse tipo de filmes estão cheios de pessoas do ABC? Custava exibir um filme desses por semana em sistema de rodízio? Por exemplo: "Intocáveis" poderia ser exibido em Santo André por uma semana ou tres dias, depois iria para São Bernardo ou São Caetano. Ou então filmes alternativos, com público mais diferenciado ainda,  poderiam ser exibidos um dia por semana em cada cidade ou pelo menos em uma.

Se os exibidores locais não se interessam mesmo por esse tipo de filme, acredito que as Secretarias de Cultura das cidades do ABC e o SESI/SESC poderiam tomar a iniciativa e se revezarem na exibição dos mesmos.

O que não podemos é continuar como uma província de São Paulo.

Cinema - A guerra dos botões


          A história escrita pelo francês Louis Pergaud em 1913 já teve 4 versões para o cinema incluindo esta última.

          Jacques Daroy em 1936 dirigiu "A guerra dos garotos", a primeira versão. Yves Robert em 1962 dirigiu a segunda :"La guerre des boutons" que foi um estrondoso sucesso de público na França.

          Em 1994 o inglês John Roberts dirigiu "The war of buttons" transferindo a história para a Irlanda numa produção anglo-franco-japonesa.

          A versão atual (2011) foi dirigida pelo francês Yann Samuell(o mesmo de "Ironias do amor" e pode ser considerada uma das melhores juntamente com a de Ives Robert.

          Traz de volta uma época em que não havia TV, videogame, Internet ou telefones celulares e as crianças passavam muito tempo nas ruas com suas brincadeiras. Resgata uma inocência que já não existe mais nos filmes para e sobre crianças. Qualquer criança de hoje se surpreenderia com as traquinagens mostradas nos filme: meninos brincando ao ar livre, no mato, no campo, correndo e trepando em árvores, se jogando na lama, aprontando e levando reprimendas dos pais. Quem, com mais de 40 anos, jã nao viveu isso?

          Na versão atual duas gangues rivais se digladiam em combates de mentirinha de dois grupos de crianças, moradoras de vilas inimigas na França dos anos 60. Para o autor, morto na I Guerra , a ideia servia como uma metáfora para os absurdos do militarismo — um tema, por si só, resistente ao tempo. Equipados com espadas de madeira e estilingues os meninos de Longeverne e de Velrans brigam sem saber exatamente o motivo, imitando cruelmente o comportamento dos adultos representado pelas brigas dos dois professores do grupo, que também pertenceram a gangues rivais no passado.

          Interpretações marcantes dos veteranos e Eric Elmosnino e Mathilde Seigner e do menino Vincent Bres como Lebrac.

          Assista e relembre um pouco de sua infância e do tempo em que brincávamos na rua.

A Guerra dos Botões

Veja o trailler: http://www.youtube.com/watch?v=PJw8KU11NLU

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Política à antiga





                        Campo Místico, localizada nas cristas da Serra da Mantiqueira, próxima a Socorro em S. Paulo e a Ouro Fino no sul de Minas abrigava descendentes de imigrantes espanhóis, portugueses e italianos que ali se estabeleceram  por volta de 1910.  Nessa época a cidade notabilizava-se  pelas lavouras de café e fumo e também pela produção de uva e vinho.
           
                        Na política,  a rivalidade entre udenistas e pessedistas renderia boas histórias.  Embora os udenistas sempre mantivessem o controle da política e da economia da cidade os pessedistas sempre se mostravam aguerridos e nunca dispensavam discussões com os adversários

                        Os udenistas eram representados na cidade pelo clã Vieira, na pessoa de Tuga como patriarca e no sucessor Renan, seu filho único.

                        Já os pessedistas tinham em Carlos Peres seu representante e mentor de todas as campanhas eleitorais , por sinal fracassadas.
                       
             Vez por outra pessedistas e udenistas se uniam contra algum adversário comum a nível estadual ou federal.

                        Ali no sul de Minas a política era quase que um símbolo de discórdia. Em todas as eleições sempre saía uma briga. Fosse entre adversários ou até mesmo entre correligionários que emitiam opiniões divergentes depois de algumas doses de pinga.  Quando  tudo terminava, às vezes até com alguma morte, ninguém sabia explicar como tudo começara.
           
                        Quase todos andavam armados e não levavam desaforos para casa. José Júlio era um desses. Fazendeiro e vereador pela UDN costumava andar sempre acompanhado de capangas que ao menor sinal de desavença com alguém entravam em ação.

                        Ficou célebre o desfecho de seu desentendimento com o adversário João Leitão. Os dois viviam se desentendendo através de recados sutis trocados através dos respectivos capangas. Mas um dia se encontraram na estação ferroviária de Ouro Fino e resolveram acertar as diferenças com as respectivas garruchas. Na verdade apenas os capangas é que ficaram sob fogo cerrado porque os dois políticos após darem  ordens para atirar foram correndo se esconder entre os vagões de onde atiravam às cegas.
           
                        – Atira, Nequinho. Vamos acabar com  esses desgraçados!
– rugia um.
                       
                        – Passa fogo sem dó, Zequinha! – retrucava o outro.

                        O saldo foi trágico: oito mortos. Três do lado de João Leitão e cinco capangas de José Júlio.


            O delegado local ainda teve ânimo para passar uma descompostura nos dois.

                        – Porque não vão fazer essa carnificina na sua cidade, seus bestas? Olha só o que fizeram......
           
                        – Foram os homens do João Leitão que começaram, seu delegado.

                        – Não, delegado, nós só revidamos porque....

                        – Chega! Seus idiotas! Sumam daqui e levem os corpos. Não quero sujeira na minha cidade – sentenciou o delegado.

                        Quando a notícia chegou a Campo Místico já estava desvirtuada. Uns diziam que foram vinte os mortos. Outros que João Leitão e José Júlio duelaram no pátio da estação. Com o tempo a história virou lenda e mesmo décadas depois a imagem da briga era lembrada .

                        – O trem da Mogiana saiu e oito ficaram  esperneando na estação.....
            

sábado, 22 de setembro de 2012

Trava-línguas


Um trava-língua é uma frase que é inventada para ser difícil de articular corretamente e pode ser usado como um tipo de jogo de palavra falada (ou cantada). Alguns trava-línguas-produzem resultados que são bem-humorados (ou humor vulgar), quando são mal pronunciados, enquanto outros simplesmente trabalham com a confusão e erros de quem fala a frase.
Nas frases dos trava-línguas  uma sentença com fonemas muito similares  faz com que quando alguem tente falar de maneira rápida as palavras se embaralhem todas e a sentença difícilmente sai da maneira correta. É uma espécie de jogo verbal onde as pessoas precisam dizer com rapidez eclareza, as sentenças que possuem sílabas difíceis de se pronunciar.

Os trava línguas são provenientes da cultura popular, vindas de rimas infantis e podem aparecer como prosa, frases, ou versos, e como o nome diz, sem travar a língua.

Exemplos de trava-linguas:
A)Em português
1)Há quatro quadros três e três quadros quatro.
Sendo que quatro destes quadros são quadrados,
um dos quadros quatro e três dos quadros três.
Os três quadros que não são quadrados,
são dois dos quadros quatro e um dos quadros três.

2)Compro pouco coco porque pouco coco como
3)A batina do padre Pedro é preta
4)Luzia lustrava o lustre listrado e o lustre listrado luzia.
5)Iara agarra e amarra a rara arara de Araraquara.
B)Em inglês( tongue-twisters)
1) She sells seashells by the seashore (Ela vende conchas na praia)
2) Red lorry, yellow lorry (Caminhão vermelho, caminhão amarelo)
3) A big black bug bit a big black bear, made the big black bear bleed blood. (Um grande inseto preto picou um grande urso 
preto e o fez sangrar)

C)Em italiano (Scioglilingua)
1)Sopra la panca la capra canta, sotto la panca la capra crepa (Sobre o banco a cabra canta, sob o banco a cabra morre)
2)Trentatré trentini entrarono a Trento, tutti e trentatré trotterellando di tratto in tratto (Trinta e três trentinos 
entrarem em Trento, todos os trinta e três trotando ao mesmo tempo)

3)Tre tigri contro tre tigri (Três tigres contra três tigres)
D)Em francês (Virelangue)
1)Si six scies scient six saucisses, Six cent six scies scient six cent six saucisses (Se seis serras serram seis salsichas, 
seiscentas e seis serras serrarão seiscentas e seis salsichas)

2)Un chasseur sachant chasser sans son chien est un bon chasseur (Um caçador que caça sem cães é um bom caçador)
3)Chasseur sachez chasser sans chien (Caçadores sabem caçar sem cães)
E)Em espanhol (trebalenguas)
1)Me han dicho un dicho, (Me disseram um ditado)
que dicen que he dicho yo.(que dizem ser eu que o disse)
Ese dicho está mal dicho, (Esse ditado está mal dito)
pues si yo lo hubiera dicho, (pois se eu o tivesse dito) 
estaría mejor dicho, (estaria melhor dito)
que ese dicho que dicen (que esse ditado que dizem)
que algún día dije yo. (que algum dia eu disse)

2)Tres tristes tigres tragaron trigo en un trigal (Três tigres tristes tragaram trigo num trigal

domingo, 16 de setembro de 2012

Cinema - Até a eternidade (Les petits mouchoirs)

Ótimo filme de Guillaume Canet. A sequência inicial sem cortes com Ludo (Jean Dujardim) na motoca é muito bem feita e figura como que um ponto  para não deixar nenhum espectador desligado. No fechamento, quando o personagem Jean-Louis (Joel Dupuch)  faz a revelação da causa de todos os males desse grupo de amigos que, para manter-se unido, mente a todo custo, revelando as facetas mais cruéis dos relacionamentos tudo fica mais claro para eles embora dificil de aceitar. Interpretação soberba dos atores e atrizes, verdadeira nata do cinema francês contemporâneo e a boa trilha sonora  fazem de Até a eternidade um marco no quadro atual do cinema europeu.
Elenco: François Cluzet, Marion Cotillard, Benoit Magimel,Gilles Lellouche, Jean Dujardim, Laurent Lafitte, Joel Dupuch.

Até a Eternidade

Trailler: http://www.youtube.com/watch?v=WQYXMNgX0dQ